Comissão da Verdade

 

 

 

Nota de Repudio

Como membros da Comissão da Verdade da PUC-SP – universidade que tem uma história de luta pela democracia, de defesa dos Direitos Humanos e de resistência à arbitrariedade – atentos à permanência entre nós, até hoje, dos padrões do autoritarismo que se manifestam na violência policial cotidiana e seletiva e na violação contínua dos direitos humanos em nossa sociedade, não podemos deixar de expressar nossa indignação frente à ação abusiva e violenta da Polícia Militar contra a universidade, seus alunos, professores e funcionários no último dia 21 de março.

Nesse momento de crise política no país em que vemos crescer o sectarismo em nossa sociedade, acirrando o ódio entre seus diferentes setores, promovendo a intolerância e o preconceito frente à pluralidade política, cultural e étnica, exigimos das autoridades a apuração das responsabilidades sobre este ato de violência e nos posicionamos na defesa intransigente da democracia, das liberdades de pensamento, manifestação e expressão e do respeito ao Estado de Direito.

Comissão da Verdade da PUC SP Reitora Nadir Gouvêa Kfouri

     

    Histórico

     

    A iniciativa de criação da Comissão da Verdade da PUC-SP - Reitora Nadir Gouvêa Kfouri partiu de um grupo de professores e alunos que consideraram que a PUC-SP, além de uma honrosa trajetória de resistências, tem importante contribuição a fazer na reconstituição da verdade daqueles anos. A PUC-SP não passou ilesa às violações de direitos cometidas naquela época, mas foi lugar de acolhida, recebendo professores cassados, alunos expulsos de universidades públicas e empregando pessoas que saíram das prisões ou regressaram do exílio. Além disso, foi a PUC-SP que sediou o Congresso da Anistia e a reunião da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência - SBPC, proibida em várias outras universidades. Abrigou também o III Encontro Nacional de Estudantes, fato que motivou a invasão da Universidade por forças policiais. Devido a essa postura de resistência foi alvo de perseguições e de dois incêndios, provavelmente criminosos, do teatro TUCA.

    Uma vez esboçado o projeto, esse grupo procurou instâncias superiores da PUC-SP em busca de suporte institucional. A criação da Comissão foi aprovada por aclamação em reunião do Conselho Universitário - CONSUN, no dia 27 de abril de 2013. Após esse referendo pelo Conselho Universitário, a Reitoria e a Secretaria Executiva da Fundação São Paulo, por meio do ato 02/2013 de 10/05/213, formalizaram a existência e funcionamento da Comissão.

    A Comissão da Verdade da PUC-SP desenvolve seus trabalhos em colaboração com alunos e ex-alunos, em parcerias com outras Comissões da Verdade e em colaboração com entidades de defesa dos direitos humanos. Além disso, está aberta à colaboração de todos aqueles interessados e comprometidos com os seus objetivos.

    Objetivos

    A Comissão da Verdade da PUC-SP tem como finalidade examinar e esclarecer as graves violações aos direitos humanos e as ações de resistência que ocorreram na Universidade entre 1964-1988. Os seus objetivos concentram-se em três eixos de trabalho que se referem a:

    • violências da ditadura praticadas contra a comunidade da PUC-SP tais como perseguições a professores, funcionários e estudantes; os assassinatos e desaparecimentos de membros da comunidade e a invasão policial do campus universitário para reprimir o III Encontro da UNE que aí se reunia;
    • ações de resistência da comunidade como acolhida à reunião da SBPC, proibida em outras universidades e ao Congresso da Anistia; criação e trajetória de lutas das associações dos professores (APROPUC), dos funcionários (AFAPUC) e das entidades estudantis; incorporação de professores cassados e alunos expulsos de outras universidades;
    • levantamento e sistematização de pesquisas e estudos desenvolvidos na PUC-SP sobre a ditadura e criação de um Memorial permanente, aberto à visitação pública.

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